Estou há tempos pensando em começar um blog, mas sempre bate a inquietante dúvida: "Será que realmente tenho algo de interessante pra contar?". De qualquer forma resolvi tentar e agora assumi mais uma tarefa entre as milhares que já tenho, mas acho que vai ser divertido ou no mínimo inusitado.
Quero começar com alguma coisa original, nada de "Quem sou eu", mas já me peguei na primeira enrascada: ia tentar algo desse tipo, mas simplesmente cheguei a conclusão de que eu nunca realmente parei para pensar em quem eu sou. Tento me descrever com alguns adjetivos (algumas qualidades entre tantos defeitos), mas percebi que isso é difícil e foi aí que uma epifania me ocorreu (tá sei que peguei essa palavra da Clarice Lispector, mas como dizem alguns designers isso não é plágio é apenas uma referência): vi que é bem mais fácil darmos adjetivos às pessoas que estão ao nosso redor (na maioria das vezes apontamos coisas negativas e defeitos que só percebemos nos outros).
Por que sempre temos a mania de julgar os outros sem olhar para nós mesmos? Acho que não tem nada a ver com aquele papo de revista de que "criticamos ou escrachamos as pessoas justamente no que gostaríamos de ser ou ter, mas não temos coragem".
É bem mais simples que isso: Gostamos de falar ou julgar ou outros porque dá menos trabalho do que olhar para nós mesmos e pensar no que poderíamos fazer para melhorar. Nem sei porque comecei com essa história (ah lembrei a tal da epifania), mas agora que parei para pensar em quem eu sou já percebi que vou ficar um bom tempo pensando nisso e já me arrumei mais uma tarefa (esse blog já começou me dando trabalho): cada vez que eu pensar em julgar ou falar mal de alguém vou escrever um defeito meu e o contrário também vale (afinal acho que tenho algumas qualidades). Aguardem que nos próximos posts vou exibir minha listinha e isso vai me ajudar a me conhecer melhor (se vocês quiserem podem comentar também, mas não precisam pegar tá pesado).
Tô ficando assustada com o tamanho que essa lista vai ficar, porque confesso minha língua sempre coça pra fazer um comentário maldoso (prefiro chamá-los de espirituoso) sobre alguma situação ou pessoa.
Ah só pra deixar claro: não tenho a menor intenção de parecer filosófica ou intelectual, porque dois tipos de pessoas que realmente me irritam são as que ficam filosofando por qualquer coisa só para parecerem profundas e inteligentes e pior ainda as pseudo-intelectuais, que não têm nada para falar e por isso "gostam" do que as pessoas que realmente tem alguma cultura estão curtindo no momento.
Com essa crítica aí em cima acho que tenho que revelar um defeito meu né (tô me arrependendo dessa tarefa), aí vai: delicadeza não é um dos meus fortes.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
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